Jealva Ávila

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sexta-feira, 01 maio 2026 / Publicado em Escrita Coletiva

… de tempos em tempos…

JADEs
Jealva Ávila, Américo Paim, Dea Ferreira e Elba Vieira

(1° Ato)

Nasci em matéria solitária,
olhei aqueles que me cuidaram e vi o amor dos outros.
Aquele que não nasceu em mim.

Olhei para fora,
vi e desvi.
Se é que existe o desver …

Borrões de memórias,
borrões de afetos e amores.
Em solidão, permaneci.

(2º Ato)

De todas as vezes e horas, foi a intensa
das caladas, das sonoras, a atenta
de todas as magias e sinas, foi a densa
das antigas, das viçosas, a imensa

E me perdi de mim, das estradas
e me fui das pontes, das trilhas
e me molhei em chuvas e choros
e me achei em curvas e esquinas

Me parti … me juntei…
me parti … me voltei.

(3º Ato)

Após o momento de decepção e delírio, passei a tarde testando novas cores
                  Vesti-me de verde, mas o barulho insano tirou-me o equilíbrio
                  Vesti-me de azul, mas as críticas sem nexo derrubaram-me a confiança
                  Vesti-me de amarelo, mas as regras ridículas destruir
                  Vesti-me de lilás, mas o preconceito burro bombardeou-me a espiritualidade
                  Vesti-me de vermelho, mas a inveja sacana roubou-me a paixão
Ao final do dia, pedaços de mim, destroços de todas as minhas cores e dores estavam aos meus pés.
Desabei …

(4º Ato)

Meia-noite.
Ouvi a sede do relógio em
                   expor suas badaladas.
A partir daquele momento,
                   Despi-me de mim.
                                   Dos pedaços.
                                   Dos destroços.
Agora, sou apenas eu.
                    E o mundo.


Publicado em 29/04/2025, na @temposcronicos.
Imagem: Sem referência.

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... de tempos em tempos...
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... de tempos em tempos...
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