JADEs
Jealva Ávila, Américo Paim, Dea Ferreira e Elba Vieira
(1° Ato)
Nasci em matéria solitária,
olhei aqueles que me cuidaram e vi o amor dos outros.
Aquele que não nasceu em mim.
Olhei para fora,
vi e desvi.
Se é que existe o desver …
Borrões de memórias,
borrões de afetos e amores.
Em solidão, permaneci.
(2º Ato)
De todas as vezes e horas, foi a intensa
das caladas, das sonoras, a atenta
de todas as magias e sinas, foi a densa
das antigas, das viçosas, a imensa
E me perdi de mim, das estradas
e me fui das pontes, das trilhas
e me molhei em chuvas e choros
e me achei em curvas e esquinas
Me parti … me juntei…
me parti … me voltei.
(3º Ato)
Após o momento de decepção e delírio, passei a tarde testando novas cores
Vesti-me de verde, mas o barulho insano tirou-me o equilíbrio
Vesti-me de azul, mas as críticas sem nexo derrubaram-me a confiança
Vesti-me de amarelo, mas as regras ridículas destruir
Vesti-me de lilás, mas o preconceito burro bombardeou-me a espiritualidade
Vesti-me de vermelho, mas a inveja sacana roubou-me a paixão
Ao final do dia, pedaços de mim, destroços de todas as minhas cores e dores estavam aos meus pés.
Desabei …
(4º Ato)
Meia-noite.
Ouvi a sede do relógio em
expor suas badaladas.
A partir daquele momento,
Despi-me de mim.
Dos pedaços.
Dos destroços.
Agora, sou apenas eu.
E o mundo.
Publicado em 29/04/2025, na @temposcronicos.
Imagem: Sem referência.










